
Quando alguém se aproxima de nós o primeiro olhar é para a classificação. Céleres, com o leitor do código de barras na mão, introduzimo-lo na nossa lista de classificados. Uma vez arrumado no arquivo dificilmente dali sairá, por mais voltas que dê. Nós não nos enganamos nas nossas avaliações: há bons e maus e pronto! Os bons somos nós (não sei bem porquê, mas somos sempre nós) e os maus terão de ser os outros (sobretudo se desconhecidos, estrangeiros e vagabundos). No medo dos outros não estamos mais que a camuflar o medo de nós próprios: do nosso interior, das nossas inquietações, limitações e misérias: De encontrar nesse interior ódios e medos recalcados, desejos inconfessados, memórias incómodas... enfim, de encontrar o mal em nós.
O grande desafio é admitir que também eu sou capaz de matar, roubar, mentir, odiar, falsificar, esconder, agredir, dissimular, enganar... Admitir, por mais que me custe, que como ser humano não estou vacinado definitivamente contra nada e muito menos contra o mal que também está em mim. Admitir que nas minhas entranhas há grandeza, mas há também territórios escuros, cheios de dúvidas e de vergonhas (que berro, sou preguiçoso, choro, sou autoritário...), que não publicito, porque isso seria diminuir-me como pessoa. Conviver com os medos e limitações e usá-los para crescer é o lado mais luminoso do grande desafio. De quem não anda por aí só por andar, de quem não vive só por viver; mas anda por aí, de candeia na mão, à procura de significado e sentido para a vida e os vai encontrando, quando procura e caminha junto com os outros e quando descobre que os outros não são meros caminhos e companhia, mas são o significado e o sentido para a vida... para uma vida... para qualquer vida. E esses outros são tão coxos e tão saudáveis como nós ... esses onde muitas vezes só vemos/víamos o mal... j.a.
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