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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Encontro Anual dos Antigos Alunos do Verbo Divino


Tortosendo
26/10/2013

O dia amanheceu muito cinzento, mas o sol foi rompendo até se mostrar na sua plenitude. Os aderentes foram chegando. Os mais madrugadores, logo a partir das 10h30, vão-se cumprimentando e pondo a conversa em dia. Outros, vindos de mais longe ou com receio da manhã cinzenta, chegaram já próximo do meio-dia.
Após a missa, procedeu-se à tradicional fotografia de grupo na escadaria da capela, seguindo de imediato para o repasto que nos aguardava.

Terminada a refeição, e passado o testemunho para a nova Comissão, dirigimo-nos para a sala ao lado, onde se tomou café e outras bebidas inspiradoras, dando início à tarde musical muito variada, quer quanto aos estilos musicais, quer aos intervenientes, sendo de destacar o Maurício, acompanhado pela Rita e a Márcia, que já haviam participado na missa, tal como o Tiago Silva, não esquecendo o solo de Manuel Santos.
A meio da tarde, o cheiro aos belos grelhados atraíram as pessoas para o pátio. A par das carnes grelhadas, veio a castanha assada regada com a bela jeropiga do Adérito e do Bugalheiro.
O convívio prolongou-se para lá do cair da noite, com música, alegria e boa disposição.
No próximo ano, a par de todas as boas razões que nos têm levado a estes nossos Encontros, junta-se uma outra que, certamente, nos levará a participar em massa no próximo ano: o quinquagésimo aniversário da ordenação do P.e Jerónimo.

Até lá...
mais fotos aqui

domingo, 15 de abril de 2012

A camionete do Luís Cerejo



Por: José Teodoro

O nosso amigo e ex-colega do Tortosendo Luís Cerejo acaba de editar um livro de contos. Já fez a apresentação na sua terra natal e agora é a vez de Castelo Branco, cidade onde vive e trabalha: no próximo dia 19 de abril, na sua escola (Escola Básica João Roiz) e a 4 de maio, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco.
O universo dos quatro contos é a região onde nasceu e vive, com epicentro nos Três Povos. Na Introdução, o Cerejo situa o leitor:

…Três Povos é uma designação que não vem no mapa… nem consta de nenhum documento oficial nem nos registos da polícia… mas existe e todos os que lá habitam sabem que existe e que é assim que se chama.
Os que lá habitam sabem que nos documentos oficiais constam outras designações, mas eles e os amigos e as pessoas das terras em volta e todos aqueles que são importantes sabem do que se fala quando se diz “Três Povos”.
É assim e pronto.
Capa do Livro de Luís Cerejo

Deixo-vos com um trecho do conto “Camionete da Carreira”. Escolhi a parte em que o Cerejo escreve sobre o Tanã, que eu ainda conheci cerca de 1990, quando lecionei na Meimoa, pois o Tanã era rapaz de amplas geografias.

Andava sempre por ali, pelo Largo Central e pelo Café Central que também era restaurante. A razão era simples: O dono do café, o Domingos, tinha pena dele porque não tinha pai, a mãe era meio louca e o pobre vivia sem eira nem beira à espera que alguém falasse com ele, lhe desse um pouco de atenção ou de comer. Ou se calhar, por outra razão qualquer.
Pelo pormenor podemos reconhecer a peça: o Domingos, depois de ter servido os clientes, chamava o Tanã, sentavam-se os dois à mesa e almoçavam como dois bons amigos. O Domingos falava-lhe do Sporting que este ano é que iria ganhar o campeonato e do Mané Fanã que era o melhor jogador do mundo e o Tanã que não entendia as palavras mas compreendia muito bem o essencial das coisas e das pessoas só respondia:
-- Minga, amigo! – e ria-se com alma pura de louco.

Quem quiser ler mais tem de comprar o livro ao Luís Cerejo, pois é uma edição de autor.
Temos escritor!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Boas Festas


Por: José Teodoro

Andava-se de casa em casa, o Vigário, o sacristão e o rapaz da campainha, com o Senhor, mais os amigos, os vizinhos e a criançada da zona. Havia uma mesa repleta de amêndoas, doces e tremoços. Ao centro, as flores da Primavera. E vinho, raramente aceite, para matar a sede ao senhor Vigário, e umas moedas ou uma nota, como paga do serviço.

Antes, horas e horas a alindar a casa. Uma vez por ano, cada família abria-se à comunidade e ninguém queria fazer má figura. 


As Boas Festas eram domingo, na Vila, segunda-feira, no Caldeira e na Tapada, domingo de Santa Bárbara, no Casal da Fraga, e domingo da Senhora da Orada, nas Quintas. Elas eram a festa da partilha, o único momento em que o Senhor visitava as pessoas, na sua casa, “obrigadas” que estavam a deslocar-se todo o ano a casa d´Ele.


 Boas Festas no Salvador, concelho de Penamacor, em meados do século passado
O desaparecimento das Boas Festas foi um sinal dos tempos, nos anos 70: a pouca higiene no beijar da cruz; frequentes rivalidades entre párocos e comunidades, nessa época; concentração de milhares de pessoas em cidades, onde por vezes os vizinhos nem se conhece; a maioria das pessoas terem deixado de ser católicos praticantes e proliferarem minorias de outras igrejas ou de nenhuma.


Mas, elas não terem sido retomadas pela Igreja, mesmo que reformuladas, é para mim um dos grandes mistérios da nossa Igreja Católica. Fala-se, por tudo e por nada, com muita razão, em policiamento de proximidade. Há programas que levam as autoridades policiais, assistenciais e de saúde a casa dos idosos mais isolados. Mas os pastores da Igreja prescindem, voluntariamente, de um dos momentos mais nobres de proximidade com o seu rebanho. 

Notas breves:
Há meses, os padres redentoristas de Castelo Branco anunciaram, pela comunicação social, que ofereciam, diariamente, um certo número de refeições aos mais necessitados. Semanas depois, vieram protestar, nos jornais, pois nem uma pessoa aparecera para pedir ajuda. Extraordinário! Isto fez-me lembrar uma igreja da zona da Amadora, junto a uma zona residencial de emigrantes africanos, onde já fui por duas vezes e nunca vi uma única pessoa de raça negra.

Há dias, fiz uma curta visita à ti Maria dos Anjos e ela disse-me que o senhor Vigário lá estivera momentos antes. Mas uma andorinha não faz a Primavera, nem esta é uma crónica sobre a Igreja de S. Vicente da Beira. No entanto, são estas novas formas de pastoral que fazem falta à Igreja Católica!


Se acharem que não tenho nada com isso, dou-vos toda a razão. Mas estava para aqui sentado ao computador, sem nada para fazer, e lembrei-me que hoje era o dia de dar as Boas Festas, na casa da minha infância. Nostalgias!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Na Estrela, até aos limites…



José Teodoro Prata

O autocarro parou na entrada do bosque de bétulas, aos pés do Cântaro Magro. Metemos as mãos na água fresca do Zêzere ainda menino e fomos caminhando para o interior, extasiados com a paisagem.
No final do parque, o terreno começava a subir e o passeio tornou-se mais difícil, por entre matos altos e pedras aguçadas. O Pe. Jerónimo parou e disse:
“Quem quiser, vem comigo a pé até à estrada que passa além, no alto. O autocarro espera lá por nós.”

Cantaro Magro
A provocação era irrecusável. Embora ele fosse filho e irmão de quem era, não lhe conhecia pergaminhos que não fossem livros e missas, tirando talvez umas investidas semanais contra as balizas adversárias. E ainda uma paixão total pelo Benfica que, em todo o caso, não exigia a ele destreza física.
Habituado às andanças na serra, fui logo atrás dele, eu e umas duas dezenas de colegas. Subimos por uma passagem estreita entre encostas rochosas a pique e chegámos a uma zona plana, parecia o fundo de uma malga partida na borda, por onde tínhamos entrado.
Em lado nenhum estrada ou autocarro, isso ficava lá num cimo ainda invisível! Continuámos, pois o nosso guia mal parara e já nos ganhava dianteira. Subimos, subimos, agachados, avançando com o impulso da força que fazíamos agarrados nos matos e nas pedras. Mal nos atrevíamos a endireitar o corpo, pois parecia que caíamos para o precipício lá no fundo.
Não parávamos, pois temíamos ficar para trás, o Pe. Jerónimo já lá ia à frente. Arfávamos de boca aberta, uma sede atroz! Mas um fio de água descia por entre tufos de ervas: deitei-me no chão, fiz uma covinha, esperei que a água aclarasse e bebi sofregamente. Depois continuei, agora de gatas, pois o meu medo de cair para trás aumentava na razão directa do aumento do declive.
Lembro-me vagamente dos companheiros que trepavam a meu lado: Manel Augusto, Chico Barroso e Ramos Silva. Talvez estes ou não, uns animavam os outros, para ninguém ficar sozinho.
Mais umas braçadas e já se viam as guardas da estrada e depois os nossos colegas. Chegámos, meio embriagados pelo cansaço e pelo entusiasmo de termos conseguido. Penso que foi no meu 5.º ano (9.º ano) e tenho esta subida a parte do Cântaro Magro no quadro de honra dos melhores momentos da minha adolescência.
Depois do almoço, natação na Lagoa Comprida. Novo desafio do Pe. Jerónimo: nadar até ao paredão da barragem. Alguns acompanharam-no e conseguiram (Chico Barroso, Maurício Melfe (Ferro)…), outros voltaram para trás, mas eu nem passei das margens. Sou terra, nada de água, nem ar.
No final, comentámos a pujança do nosso prefeito. O velhote (30 anos) tinha garra! 
Na Cabeça do Urso, um ou dois anos depois.
Da esquerda para a direita e de baixo para cima: João Rente (Estreito), José Bernardo (Peroviseu), José Teodoro (São Vicente),  Carlos Bizarro (Teixoso), José Augusto (São Vicente), Virgílio de Matos (Peso), Elísio Gama (Maxial da Ladeira), Ramos Silva (Vale de Espinho), Francisco Barroso (São Vicente), Manuel Augusto (Aldeia da Ponte), José António (Rochas de Baixo) e José Antunes (Maxial do Campo).

quinta-feira, 15 de julho de 2010

REALMENTE FOI BEM EMPREGUE







Óscar Mota

Meu Querido Amigo Padre José Hipólito Jerónimo,





Permita-me que o trate assim, pois decorridos todos estes anos, tenho a certeza que o tenho no coração e que faz parte do rol de pessoas que me são queridas.


É sempre com enorme satisfação que ouvimos as suas palavras, pois, elas são o prenúncio puro e sincero dos mais elementares valores de carinho e amizade de nutre por nós VERBITAS DA SOCIEDADE CIVIL (ex-alunos).

Depois da minha caminhada pelo Seminário, entrei em 05 de Outubro de 1980 (Tortozendo) e sai em 24 de Junho de 1987 (Fátima), hoje, o pouco que sou, mas com firme convicção de realização pessoal, na vertente profissional e familiar, devo-o, em grande parte, à minha passagem pelo Seminário e pelos valores morais, socais e cristãos que ai assimilei.

No entanto, a minha passagem pelo seminário, como todos nós, teve altos e baixos e, a adaptação no primeiro ano não foi nada fácil.   

De facto, quando entrei no Seminário, vindo da Tele-Escola da Barroca do Zêzere, os alicerces trazidos desse arcaico método de ensino deixavam muito a desejar e não foi com grande admiração e espanto que no primeiro período de avaliação fui corrido com negativas a tudo, com excepção do Desporto e Religião / Moral.

Perante este cenário, associado às compreensíveis saudades da família e cantinhos da Barroca, começaram a ocorrer dias de grande sofrimento e choros, que se agravavam aquando pisava a sala de estudo às cinco da tarde. Até lá, as tardes desportivas do futebol de onze e de cinco, provocavam-me um efeito tranquilizador e relaxante com perda de memória momentânea das 9 negativas e do cheiro do pinhal da Barroca.

Ora, numas dessas tardes de estudo, em que brotava mais lágrimas das concavidades dos olhos do que água da nascente do rio Zêzere, dirigi-me - não me lembro com ou sem autorização – ao telefone que se situava nas imediações do escritório do Senhor Reitor, há data, o Padre Jerónimo. Ali, tentei chegar à fala com a minha mãe com o propósito de me virem buscar. No entanto, face aos meus queixumes e lamúrias, o Padre Jerónimo interceptou-me e impediu que consuma-se as minhas mais que decididas pretensões. 

Naquele momento, recordo-me que chamei e apupei-o de tudo o que me vinha à lembradura, acreditem, chamei-lhe mesmo de tudo (acho que até lhe disse que matava a equipa toda do BENFICA). Porém, o Padre Jerónimo, tal e qual um pai para com um filho, teve uma compreensão infinita e com alguma dificuldade, entre algumas palavras afáveis, lá me conseguiu acalmar e encaminhar para o jantar. 

A partir daquele dia, apesar de ter chegado ao 3º e último período com a marca das 9 negativas, as coisas melhoraram e nos anos seguintes começar-me-ia a sentir no seminário como peixe na água, ao qual, a água da piscina também não era alheia ao meu estado de espírito.

Passado este episódio, penso que no ano seguinte, sendo eu chefe de desporto, na composição das equipas, tarefa que me competia, não conseguindo a disponibilidade de ninguém para a baliza, coube-me a mim, quão bónus pater família, a tarefa de guarda redes de uma das equipas. 

Nesse jogo, o Padre Jerónimo, equipado a rigor, com o calção preto e cordão branco, chuteiras pretas com riscas brancas e reviradas na ponta para cima, numa desmarcação feita pelo meu amigo Chefe da Covilhã (Luís Garcia), aparece isolado na baliza norte (esta baliza não tinha rede de fundo uma vez que era encostada ao muro), tendo como único adversário a minha fraca figura de um metro e meio e 40 kilos. Perante jogada iminente, eu, sem luvas, olhei para o Padre Jerónimo, que mais me parecia o RIVELINO brasileiro, e pensei: é hoje que o Padre Jerónimo acerta contas comigo por tudo o que chamei naquele dia do Telefone e me prega aqui à parede. Porém, o Padre Jerónimo, depois de dois assopros, característico dele, deu um enorme pontapé, tendo a bola, para meu alívio, ido parar junto da casa velha, proferindo de seguida o seguinte: “fou fou, mal empregada”.  

Hoje, caro Amigo Padre Jerónimo, relembrando uma homilia sua em Fátima, na qual lhe contei 61 REALMENTE, só me resta dizer que, REALMENTE FOI BEM EMPREGUE o tempo que consigo convivi e espero ainda partilhar.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Tempos trabalhosos, mas muito gratificantes 'in CONTACTO'

Dra. Maria Octávia Vaz


Suponho que cheguei ao Seminário no ano lectivo de 1970/71, a pedido do Sr. Padre José Garibaldi, que me apresentou a necessidade de leccionar Matemática à turma do então 5º ano liceal. Encontrei uma sala cheia de alunos que tinham bastante carência de bases de anos anteriores, mas que eram muito interessados, sempre na ânsia de preencher as lacunas existentes. 

Era preciso avançar porque havia exame no final do ano e nos anos anteriores os resultados não tinham sido famosos… 

Nesse ano melhorou-se alguma coisa, metade dos alunos conseguiram obter nota positiva e alguns fizeram-se mesmo muito bons alunos! 

E já não tenho ideia, mas creio ter ensinado também, já nesse ano, as turmas dos 3º e 4º anos. 

Os primeiros tempos foram trabalhosos, mas criei com os alunos um bom relacionamento e não me poupei a esforços. 

Não tive dificuldade em me adaptar, embora nesse primeiro ano fôssemos apenas duas senhoras, eu e a Professora D. Fernanda, que leccionava Inglês. Já havia outros leigos como os professores Diniz, Barroso, Luís Vaz, Rocha e os Drs. Jaime Abílio, Ernesto Costa e Faria, que acumulavam em escolas da Covilhã. Depois juntaram-se a Dra. Manuela e outras senhoras, bem como o Dr. Santos Dias, Manuel Marques, Pacheco e esposa, o Prof. Flávio e outros… 

Do corpo docente também faziam parte alguns sacerdotes. Foram anos muito bons, com um óptimo ambiente de trabalho e camaradagem. Recordo com saudade as festas dos alunos, com representações de teatro bem bonitas e também as festas de S. Nicolau, que deixavam os pequenitos aflitos e os mais crescidos aproveitavam para fazer as suas maroteiras…
Não esqueço aquela em que uma explosão com pólvora provocou sérios danos na mão do Jorge Martins. 

O Seminário, nesses anos, ainda estava repleto de alunos. Quando algum saía, eu aproveitava para dizer à turma que “nem todos os chamados são sempre escolhidos” e que o essencial era que cada um, no ambiente onde viesse a inserir-se, procurasse pôr em prática a vivência cristã dos anos passados no Seminário, como espero que tenha acontecido. 

Sei que muitos dos antigos alunos têm hoje lugares de relevo na nossa Sociedade e isso é para mim muito gratificante. Estive com alguns na festa de despedida do Sr. Padre Lúcio e gostei muito de os reencontrar. 

Também agradeço a Deus o contacto próximo que tive com os sacerdotes mais novos da família S.V.D. que são ainda em bom número e a quem ensinei alguma coisa… segundo creio. Que o Senhor dê a todos, neste ano sacerdotal, as melhores bênçãos. 

À Congregação estou muito grata pela amizade que me tem dispensado e faço votos de que estes 60 Anos de Vida em Portugal continuem a dar os seus frutos aqui e no mundo.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

MAIS ALGUMAS MEMÓRIAS...

Tenho seguido com imensa atenção os textos que têm sido escritos.Sabe muito bem ir sabendo notícias de antigos colegas que há muito não vemos e, ao mesmo tempo, relembrar episódios da nossa vida que, de uma ou outra forma, nos marcaram e fizeram parte da nossa formação. Já alguns falaram de teatros, mas não posso deixar de recordar algumas peças que jamais esquecerei: Os meus pais pecaram (de que já falou o Ir. José Amaro), A Bandeira Roubada, Assasínio na Catedral (Lembras-te Xico Barroso?), O Lugre (do Bernardo Santareno), O Auto da Compadecida (grandes desempenhos do Pe. António Lopes e do Ismael, entre outros...), Arauto do Amor (Este já em Fátima, sobre a vida de S. Francisco de Assis - em que o Nicolau era o "big" protagonista), os Escravos (já em Guimarães), et. et. etc.
No entanto, hoje queria aqui recordar o maestro Rosa Soares (Lembram-se?). Foi ele que nos ensinou música durante anos. Infelizmente eu, que passei por todos os instrumentos, acabei por apenas "arranhar" umas notas no bandolim (cheguei a tocar na orquestra!!!...). Para além das "batutas" que nos partia nos dedos e na cabeça, enchia-nos de cromos da bola. Tinha um estilo muito peculiar, mas era um homem bom, que hoje aqui relembro com muito carinho.
Espero que nos encontremos no próximo dia 30. Até lá.

sábado, 20 de dezembro de 2008

S. NICOLAU III



Caro Amigo Vitor,
Conta comigo para o jantar de que forma for.

Como já te deves ter apercebido, tenho ainda alguma fobia a estas navegações da NET, razão pela qual, conciliada com a carga de Trabalho, ainda não me aventurei no blog.

Desta forma e com a promessa de pedir alguma ajuda para esta navegação, junto anexo duas fotografias dos diabos, tiradas em 06 de Dezembro de 1984. Adivinhem quem é o Terror das Trevas e o enforcado (caras à mostra). O esqueleto era o José Manuel Fernandes Marques, mais conhecido pelo Zé Manel CTT.
Cumprimentos.

Óscar Mota

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Artes & ARTISTAS: "O Mau Herodes" Pela Boa Mão do P.e Gonçalves

Em cima: José Carlos Pombo; José Carlos Duque
Em baixo: Nicolau Marques; Eulálio Figueira; Arlindo Costa; Luís Serrano; frater Rui (em trânsito para Irlanda); p.e Joaquim Domingos Luís ("Pisco"); Américo Oliveira; Carlos Bento; Agostinho Bruno Mónico.


As memórias dramáticas do Zé Amaro avivam-me as várias e gratas experiências teatrais que eu próprio vivi no tabuado do palco de Fátima - nos anos setenta ainda bem recheado de muito coloridos e realistas cenários, testemunhas das lendárias produções realizadas na década anterior.


Recordo com particular carinho uma peça que a arte e teimosia do p.e Valentim, à data prefeito do complementar, nos fez levar à cena no ano lectivo de 1976-1977. O título do texto prestava-se a trocadilhos mais ou menos grosseiros que a bonomia do ensaiador tolerava, intramuros, à irreverência dos jovens actores.

A coisa nem saiu mal; tanto que, resistindo à estreia, tratámos de rentabilizar tanto mérito com digressão pelas cercanias.
Na tarde em que a “companhia” exibia a sua valia em Arrabal, Leiria, o ensaiador esmerou-se na prévia apresentação e, já o público ria embaraçado há quase um minuto, quando o mesmo se deu conta de que nomear a peça de “Herodes, o nú”, se aceitável no intervalo dos ensaios, não se recomendava perante tão piedosa plateia como substituindo “Herodes, o cru”. Mas do mal, o menos: felizmente que a gafe não levou o desatento mestre para o outro vocábulo, de adequada rima, que ocasionalmente, e em alternativa, também soava nos bastidores.


Nicolau Marques

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Artes & Artistas

Quem não se lembra do sucesso dos anos setenta, "The Rubettes" do Tortosendo?
Ora aqui vai um cheirinho e ficamos a aguardar que o Xico Barroso nos complete este momento inesquecível!

Artes&ARTISTAS * jesus-amaro

Para irmos alargando o leque de colaboradores/leitores talvez pudéssemos ir entrando por outros domínios: tanto das artes como dos artistas. Lembro, como exemplo, que uma das artes mais queridas e lembradas pelos ex's ,e não só, é o teatro. Muitos lembramos peças que foram representadas e o impacto que tiveram em nós; artistas de créditos firmados...e também experiências vividas na arte de representar. Entre elas recordo o dramalhão "Matei o meu filho...", onde pontificaram o então frater Manuel Soares (pai), da Bajouca/Leiria e o Fernando Mesquita (filho), um transmontano de Lavandeira/Carrazeda de Ansiães. Aquilo é que foi chorar... Como experiência própria lembro a minha primeira, única e última representação. Coube-me por insistência do ensaiador representar um dos "pastores natalícios". As falas eram curtas... mas a veia artística era/é ainda muito mais curta. Resultado: um drama. Chorei baba e ranho... mas lá consegui guiar os meus colegas até Belém de Judá... e o Menino condescendeu... 
j-a.

domingo, 14 de dezembro de 2008

são nicolau - jesus-amaro



Também eu tenho duas experiências dos meus "são nicolau". A primeira: coube-me num ano enriquecer a equipa dos tridentes. Um diabo um pouco gorducho e anafado, dentro daqueles trajes vermelhos, lá me movimentei o melhor que pude e a agilidade física me permitiu. Acontece que um dos condenados (o António Dias Duque, do Sardoal) que devíamos levar para as profundezas do inferno era um tipo "raçudo" e duro de músculo. Não aceitou a condenação sem mais e começou a oferecer resistência, ajudado pela sua turma. E o caso começou a ficar complicado porque era uma humilhação para os garbosos "mafarricos" serem enxovalhados e desacreditados. Entretanto começou a chover porrada feia de um lado e do outro. Puxões, socos, pontapés, vergastadas, empurrões, roupa rasgada... luta feroz entre os demónios infernais e o condenado e apoiantes. Por fim o tridente lá conseguiu vencer, a muito custo, a terrível batalha e levar o condenado para as penas-eternas. Uma segunda: coube-me escrever o discurso que o são nicolau deveria proferir em tom solene e vigoroso, antes das condenações. O são nicolau desse ano foi o noviço Fernando Novo, da Póvoa de Varzim. Foi um arrasar completo de cozinha e lavandaria. Não houve dó nem piedade. O resultado de tal discurso foi umas crises de choro e raiva da Ana e companheiras. Nunca tive coragem de assumir que fora eu o autor da catilinária. Provavelmente um pouco injusta...

S. NICOLAU II


Do que tu te havias de lembrar!

“Danado” tempo... nos tenros 9 anitos não sabia como acomodar tamanha “punição”. Não sei que falhas a valessem, tal era a carga emocional que lhe estava associada e nos era transmitida pela cumplicidade de toda a comunidade. Nunca mais, na vida – vivida, senti tamanha experiência, que mexesse tanto comigo, no corpo, no espírito e, sobretudo, na consciência.

Ainda hoje me pergunto, por que raio fiquei naquele estado? A quem teria, eu, feito tanto mal, para sentir aquela culpa e aquele medo de ser punido?

9 anos, faria 10 em Fevereiro!

Hoje, assumo este episódio, como uma espécie de “iniciação”, de excomunhão dos medos e dos preconceitos, que lentamente aprendemos a libertar. Era um ritual iniciático, fantástico, que nos conduzia à raiz de todas as questões – o bem e o mal, a vida e a morte, o acto e a consequência, a recompensa e a punição.

(O problema estava no “apito dourado”) – em quem decidia – porque haviam uns de receber prendas (....sabonetes, tesouras, corta unhas, escovas de dentes, pastas Colgate, recargas, papel cavalinho...) e outros, de receber a punição do “fogo do inferno”?

Mas, tinha que ser assim! Se não, não havia “Diabos Infernais”. Tinha que haver bons e maus, mortos e vivos, factos e punições...

Já viram coisa mais parecida com a vida em sociedade?

Foi justa a recompensa? Foi justa a condenação?

Também aprendi que há recompensas que nos limitam e condenações que nos libertam?

Obrigado S. Nicolau!

sábado, 13 de dezembro de 2008

S. NICOLAU


Todos os anos, por alturas do 6 de Dezembro (dia de S. Nicolau), me recordo da forma como a data era assinalada no Tortosendo. No ano de 1970, tinha eu entrado há poucos meses, foi terrível. Semanas antes, já a conversa dominante era a chegada do S. Nicolau, dos seus diabos e da morte (aquele esqueleto aterrador!!!). Então aqueles que se portavam mal, não era o meu caso..., tremiam com medo da condenação. Lembro-me de estarmos a jantar naquela sala que tinha o palco, apagarem as luzes e, entre relâmpagos e trovões, surgir um esqueleto movendo-se, subtilmente, com a sua gadanha. Aterrador!!!... Por sorte, nem esse ano, nem nos seguintes, fui um dos condenados e levados para o "inferno". Anos mais tarde, acabei por ser diabo e S. Nicolau. Ainda me lembro de, no final do discurso, dizer: "Diabos infernalis, ud statem apareatis". (Que me descumpem os "latinórios" pelos possíveis erros...).

Um abraço para todos

Rui Barata