Todos à Valenciana! Mais um jantar da tertúlia, quem tiver conta no FB pode inscrever-se aqui: Jantar na Valenciana, os que não tiverem, podem deixar a sua inscrição na caixa rápida de mensagens do blog.
Costuma, nestas ocasiões, dizer-se que é o jantar do costume! É bem verdade, mas só pela data, o resto é sempre uma caixa de surpresas, quer da parte de novos participantes, quer do lado do ambiente gerado, ora pacato, ora animado, mas sempre genuíno!
Espero que assim continuemos!
Então dia 25 de Março, a partir das 19:30h, lá nos juntaremos no RESTAURANTE VALENCIANA, em Campolide, o local do "costume"!
Tenho de vos confessar que tenho andado inconsolável. Esta coisa do corte no salário não é fácil de digerir. E não sei se é por solidariedade com a minha dor ou pelo facto dos meus amigos terem entrado já em período de meditação quaresmal, que o sabor da beira está ultimamente ao abandono.
Viva Portugal
È verdade que há coisas que mexem connosco. Que nos revolvem as entranhas. È que uma pessoa comportar-se segundo os rigores da ética e da moral e depois ser tratado como vilão é duro de roer, mas o que lá vai, lá vai e o importante é que estou já restabelecido.
Diz-se que cada um tem o que merece, mas durante este período de desconsolo cheguei à conclusão que o povo português não merece a maneira como está a ser tratado pelos (i)responsáveis políticos. Andei nas trevas, admito, mas voltei à luz.
Como é possível que se trate deste modo um povo que deu novos mundos ao mundo. Um povo que em 50 anos passou de rural a tecnológico, como comprovam as taxas da União Europeia de utilização das tecnologias quer na gestão pessoal, quer na gestão pública. Quem mais rapidamente aderiu à utilização das ATM? Quem detém o recorde na percentagem de telemóveis per capita? Só gente com grande potencial e de grande sabedoria conseguiria uma evolução tãofulgurante.
Um povo que conseguiu criar um tipo de música genuíno como o Fado, para exorcizar os medos e lavar a alma, que ainda por cima faz bem mesmo a quem não percebe o encanto das suas palavras tem que ser um povo fantástico.
Gentes que defenderam a sua independência e autonomia durante oito séculos sem aceitar o jugo dos outros, a não ser num curto período (o Filipino), tem que ser um povo valente. Um povo que dizem deprimido, só porque não conhecem a sua natureza.
Quem é que deprimido, consegue ser o anfitrião afamado que é Portugal? Quem por esse mundo fora desenvolveu uma gastronomia tão gostosa e variada como nós? Quem como nós gosta de ficar horas à mesa a conversar à volta de uma garrafa de vinho, sem se lembrar que há horários a cumprir e trabalho para fazer. Ai que prazer não cumprir um dever…começa assim “Liberdade” de F. Pessoa. Lembram-se?
E depois há factos incontornáveis, como os resultados de um inquérito europeu recente, que vieram dizer ao mundo que as mulheres portuguesas são as que mostram maiores índices de satisfação sexual. Como é que isso era possível, se não tivéssemos níveis elevados de auto-estima, pois que a ciência médica associa a depressão à disfunção eréctil?
Deprimidos são esses alarves dos alemães, que em cerca de 30 anos arrastaram a Europa para duas guerras mundiais provocando milhões de mortes. Infelizes são os belgas que só comem almôndegas. Deprimidas são essas gentes do norte que vêm a Portugal à procura de sol, bom acolhimento, boa comida, bom vinho, sardinha e Zéze Camarinha…
É claro que não há bela sem senão. Ter um país cheio de auto-estradas e não ter dinheiro para gasolina e para portagens é duro de roer. Ter um país cheio de hotéis de luxo e não ter dinheiro para lá passar umas boas férias, não se aceita com facilidade. É certo que imensas vezes nos perdemos nos labirintos, não da saudade como diz Eduardo Lourenço, mas da burocracia…
A culpa é, como é fácil de ver, dos (i)responsáveis políticos, que quiseram estender o meu paraíso de Arroios ao resto do país, sem levar em conta as cenarizações do aumento da pressão da China e da Índia na aquisição de recursos naturais e o que isso significa para a velha Europa.
Apesar disso, gritem comigo bem alto: Viva Portugal.
Mesmo assim foi necessário acrescentar lugares, para todos caberem!
À espera!...
Confesso que ao entrar no salão reservado para o jantar, com o Fernando Carvalho, senti uma grande apreensão quando vi aqueles lugares todos vazios. Improvisamos um local de destaque para a surpresa da noite, que nos foi, gentilmente, oferecida pelo nosso amigo António Colaço. Preparamos todos os equipamentos media e subimos para o lobby, onde já se encontrava uma boa dezena de convivas. As notícias que corriam eram optimistas, estão a chegar.... estão a chegar! E, passados alguns minutos, o lobby começava a ficar "acanhado", tal era a afluência há hora marcada.
Descemos, já perto do salão, para o wellcome drink e foi neste momento que dei conta da diversidade de gerações ali presentes. O espírito de grupo reinante era positivo e sentia-se a alegria do encontro no ar. Pelo meio de grupo, circulavam, discretamente, alguns elementos, mais assíduos nestes acontecimentos, que facilitavam, numa espécie de network espontânea, o contacto, servindo de "nó" entre os presentes. As coisas estavam a funcionar naturalmente e entre um copo de champanhe, um canapé e umas palavras, os laços foram ficando mais estreitos e as conversas fluíam pelo local com constantes apelos à memória e a relatos que ajudam sempre a reavivar o tempo. O jantar, pelas contas do incansável António Pinto, contou com doze presenças de elementos que nunca tinham estado nestes nossos convívios.
Assim, ao som dos "Bombos do Tortosendo", fomos entrando no salão e aquela mesa, enorme, foi sendo preenchida. De tempos a tempos lançava um olhar geral e comentava com o Fernando, os espaços desocupados... dou uma volta geral para conferir animos e passo junto ao Oscar, tendo comentado que ainda havia uns lugares que iam sobrar!... "Isso!...", respondeu ele, "...vão é faltar!" concluí. Efectivamente o Fernando já andava numa fona a dar indicações aos colaboradores para acrescentar a mesa. Passo-me a ansiedade! E, quando tudo já estava arrumado... ainda chega o Jorge! Melhor não podia ter acontecido.
F. Carvalho, o fiel depositário da surpresa.
O jantar decorreu, de acordo com a qualidade de serviço do Hotel Olissippo, a mestria do Chefe Vitorino e colaboradores e a exigência profissional do seu Director Geral, o Fernando Carvalho. Satisfação geral! Ainda decorria o repasto quando demos início a uma actividade criada para o momento e que fosse o motivo para a entrega da surpresa de que já falámos. Fez-se um apelo à veia poética de todos os presentes, e constituíram-se trios de jograis, passados 15 minutos já ecoavam, bem audíveis, as primeiras rimas, fruto de tanta inspiração. Procedeu-se à votação e, com uma larga margem de pontos, foi apurado o trio vencedor: o António Monsanto Registo, o Pe António Leite e o Eduardo Rego que, para além da inspiração, ainda emprestou a sua belíssima voz aos versos:
AQUI, NAS BORDAS DO TEJO,
ONDE OLISSIPPO ATRACOU,
QUE PRAZER ABRAÇAR AMIGOS
QUE O DESTINO SEPAROU.
A viola soltou os primeiros acordes e as canções brotaram, só de meia letra e muito lá-lá-lá... que a memória dos cantadores não é RAM! Mais um bom pedaço!
Assim, passamos um belo serão, reforçámos laços de amizade, que fortalecem os princípios e os valores que nos unem e justificam a nossa presença nestas iniciativas para que cada vez mais, os antigos alunos, "sejam a semente do Verbo Divino na sociedade civil".
Agora, a Lista de Presenças elaborada pelo António Pinto:
- Albertino Antunes
- António Bento
- António Casimiro Barata
- António Natário
- António Pinto
- António Registo
- António Rui Barata
- Artur Santos
- Daniel Reis
- Eduardo Rego
- Fernando Carvalho
- Filipe Seguro
- Francisco Magueijo
- Henrique Barata Nunes
- Henrique Neves
- Jorge Man. Silva (Sobral S. Miguel) **
- José Antº Martins
- José Delgado
- José Duarte Dias
- José Gil Dias
- José Manuel Eusébio **
- José Quelhas
- Leonel Mendes **
- Lúcio Robalo Pereira **
e filho Vasco
- Luís Garcia
- Manuel Peres Sanches **
- Manuel Reis Jorge **
- Messias Gomes **
- Miguel Alçada Batista **
- Nelson Duarte
- Nelson Mota Gil **
- Nicolau Marques
- Óscar Mota Gil
- Patrick Morais **
- Paulo Lucas **
- Pe. António Leite **
- Porfírio José Pinto
- Ricardo Figueira
- Vítor Carmo Baptista
- Vítor Gaspar
- Vítor Geraldes
NOTAS:
- Estreantes (**)
- O maior evento do Blog foi o Almoço de Oleiros, em 30 Janº 2010, com 62 pessoas.
Este Jantar no Hotel Olissippo fica a ser o segundo mais participado de sempre com 42 convivas, tendo na inauguração destas jornadas de convívio, no mesmo local, em 30 Janº/2009, comparecido vinte ex-alunos. Ocupando o 3º lugar está o Jantar com o Pe. Lúcio, em 3 de Novº 2009, que registou 32 presenças.
Imagino as lágrimas choradas pelo João, nas encostas tristes do Esteiro, a engrossarem o nosso Zêzere lá ao fundo. As retidas, essas ficarão para sempre sepultadas na sua alma, mesmo que ele as conte e as revele... sempre restarão algumas impossíveis de contar, pois a dor é indizível por mais que a tentemos revelar, explicar e traduzir. Para a dizer não há recursos suficientes! Porque ela não se deixa esgotar na razão ou nos sentimentos. Ela é corpo, mas também é alma. É carne, mas também espírito. Certo, certo: uma vida dura e um futuro nebuloso, escuro e sombrio esperam o João, que não conheço, mas cuja dor sinto profundamente.
Há vidas e vidas! E algumas, não se sabe bem porquê..., são uma contínua tragédia, umas vezes mais visível outras mais escondida e silenciosa. Mas está lá, omnipresente sob a forma de dor, e a qualquer momento, de tão intensa, transforma um corpo e uma mente num caos de ideias, ódios, vinganças, receios, lágrimas, tristezas, desesperos, impotências, confusões. A do João foi, é e será: aguda, calma, revoltada, insuportável, desesperante, pesada, leve até, mas não foge nem o abandonará, por mais que ele queira e mereça libertar-se dela, por mais que a exorcize e a racionalize... segui-lo-à como a sua sombra. Com pulseira ou sem pulseira, com arrependimento ou sem arrependimento.
A dor vai carregá-la, o João, pelos anos fora. Muitos, poucos... quem o sabe? Cravada nos ossos e escondida nos interstícios da alma ela passou a ser ser do seu ser, corpo do seu corpo, alma da sua alma. E não há como fugir-lhe. Ele tentou, antes, mas só a conseguiu afugentar... e logo da maneira mais trágica, pois a almejada libertação só a veio aumentar ainda mais... a que já carregava e tanto lhe pesava.
Não se andam vinte quilómetros a pé, descalço, alta noite... para ir dizer às autoridades que se matou o pai à catanada, se não houver um grande drama interior com antecedentes mais ou menos visíveis ou mais ou menos escondidos e silenciados por “conveniência” de todas as vítimas... que são mais, para além do pai (morto), do João... há também a mãe e os irmãos.
Choro com o João sentindo a dor insuportável que carregava e a qual ele não podia gerir com apenas 16 anos. Diariamente, ela lá estava ao amanhecer (não guardando domingos nem feriados) ... e ao anoitecer tornava-se ainda mais insidiosa, fina e palpável, quando se apoderava do corpo e da alma deixando-os num completo desassossego e confusão. E foi ela que inspirou a libertação através da vingança, do ódio e da raiva, há tanto tempo contidos, escondidos e silenciados nas esquinas duma adolescência ingrata, pobre e amargurada... na qual a alegria e o sabor das cerejas fora substituído pela tristeza e o sabor amargo do fel.
E a nossa Beira, que é baixa, triste e solitária ficou ainda mais triste e mais só, olhando-se e olhando o mundo pelo crivo da dor ... e da desgraça.
Houve poesia e a veia jorrou na pena e na voz. Esta é a foto do momento da consagração dos vencedores. O ANTONIO LEITE, O EDUARDO REGO E O ANTONIO REGISTO. Exibem orgulhosamente o troféu que lhes foi atribuído e que foi oferta do nosso amigo António Colaço.