domingo, 31 de outubro de 2010

TORTOSENDO’60: uma jornada de redescobertas



Foram chegando... devagar, devagarinho... mas chegaram! Uns mais expansivos que outros, o que roça a normalidade, mas todos com uma grande expectativa em relação ao que os esperava e ao que ía acontecer... E o que aconteceu foi bom, porque além do trabalho da equipa organizadora todos teimaram em dar o seu insubstituível contributo para que tudo corresse bem e todos se sentissem à vontade e partipantes de pleno direito nesta festa de encerramento dos 60 anos de presença da SVD em Portugal. Olhámo-nos e vimos – apesar de se ouvir muitas vezes as frases “estás igual”, “não mudaste nada”, os cabelos é que estão um pouco mais brancos”... - que não estamos na mesma nem em relação ao ano passado e muito menos em relação às dezenas que já lão vão, depois da nossa passagem pela SVD. Mas, soa bem e adoça os ouvidos e a vaidade!
E, digo isto porque todos vimos muitas carecas ou meias-carecas a brilhar, ouvimos muito discurso saudosista e revivalista, por detrás do qual se escondem as memórias mais vivas do que foi a passagem pela “nossa” instituição.
A maior parte de nós estamos-lhe infinitamente gratos outros ainda não conseguiram digerir nem integrar o fel amargo de algumas injustiças de que foram vítimas. Compreendemo-los e ninguém lhes leva a mal por não quererem estar presentes, mas que gostávamos de os ver por cá, lá isso gostávamos e tenho quase a certeza de que eles próprios se sentiriam bem ao olhar para aquelas paredes, janelas salas e corredores, campos, refeitório e cozinha, que lhes lembrariam muitas coisas boas e interessantes. Mas a vida é assim mesmo... A nossa, como a de todos os humanos (ricos e pobres, sábios e ignorantes) é feita de pequenas e triviais realizações, cuja maior grandeza está na sua pequenez e na sua simplicidade: aliás, o segredo das grandes vidas!
Estávamos muitos e bons (perdoem a imodéstia)! E fizémos, com a ajuda da solidariedade que cultivamos, os milagres da multiplicação dos pães e da amizade, que são os mais belos e significativos, porque promovem a alegria do coração, o olhar e o gesto da ternura e o prazer do braço e do abraço.
Para além da casa que tão simpaticamente nos acolheu, quero referir a celebração da fé, que sempre nos ajuda a alargar horizontes e a procurar ou lembrar outras referências e que, juntos, celebrámos com muita dignidade e musicalmente afinada (o que não é pouco!), certamente mais mais fruto da alma do que do ensaio.
Uma palavra de especial simpatia para com a dona Maria Octávia. Quis estar presente e via-se e sentia-se que estava feliz por tanta gente se lembrar dela com tanto respeito e carinho.
Agora que redescobrimos o caminho e experimentámos que o encontro é bem mais do que comer e beber... mas também abraçar, celebrar, estar, olhar e recordar a desculpa fica mais difícil de arranjar... para não ir. Jj-a

LISTA DE PARTICIPANTES NO ENCONTRO DO TORTOSENDO

30 de OUTUBRO de 2010

ANTERO N PAULO + 5 CONVIDADOS‎
ADELINO GOMES
AGOSTINHO SILVA
ALCINO FARIA E ESPOSA
ÁLVARO GIL BOUCHO SOARES
ANTÓNIO BARATA E ESPOSA
ANTÓNIO BRITO
ANTÓNIO CâNDIDO
ANTÓNIO CASIMIRO E ESPOSA
ANTÓNIO ESTEVES ROSINHA E ESPOSA
ANTÓNIO FERRAZ MOURA
ANTÓNIO JOSÉ SILVEIRA
ANTÓNIO LEAL SANCHES
ANTONIO M PEREIRA ANTUNES‎
ANTÓNIO MADEIRA ANTUNES
ANTÓNIO NATÁRIO GOMES‎
ANTÓNIO PAULOS E ESPOSA
ANTÓNIO PINTO DIOGO
ARMINDO CACHADA
ARTUR LEITE E ESPOSA
CARLOS ALMEIDA
CARLOS GUIMARÃES E ESPOSA
CLAÚDIO MIGUEL SANTOS
DANIEL ESTEVES REIS (BOGAS)
EDUARDO MOUTI.FERREIRA SANTOS
EMÍLIO AUGUSTO BÁRBARA BARROSO
FAUSTO HERCULANO B BAPTISTA
FERNANDO AUGUSTO BATISTA LOPES
FERNANDO AUGUSTO BRAGA
FERNANDO DAS NEVES BAPTISTA
FERNANDO MATEUS DIAS CARVALHO
FRANCISCO MAGUEIJO + ESPOSA
IRMÃO JOSÉ JESUS AMARO
ISMAEL ANTUNES REIS
JOÃO AUGUSTO NEVES BAPTISTA
‎JOÃO LOURENÇO + 4 CONVIDADOS
JOÃO MANUEL SERRA DUARTE
JOAQUIM JOSÉ CORISTA + ESPOSA
JOAQUIM JOSÉ NUNES PORTAS
JOAQUIM LOURENÇO BRÁZIA
JOAQUIM NABAIS+ ESPOSA+NETA
JOAQUIM TRINDADE DOS SANTOS
JORGE SILVA MARTINS+ ESPOSA
JOSÉ ALBERTO J GONÇALVES(TRIGAIS)
JOSÉ ANTÓNIO NETO GRANCHO
JOSÉ ANTUNES CERDEIRA
JOSE CARLOS PROENÇA COSTA
JOSÉ EDUARDO ANJOS LEAL
JOSÉ FERNANDES
JOSÉ FREIRE
JOSÉ HENRIQUES DA FONSECA
JOSÉ LOPES NUNES
JOSÉ LUCIANO VAZ MARCOS
JOSE LUIS GONÇALVES AGOSTINHO
JOSÉ MANUEL FORTUNATO CANHOTO
JOSÉ MANUEL MELEIRO ALVES NEVES
JOSÉ MANUEL TEIXEIRA DIAS
JOSÉ MARIA RAMOS FREIRE
JOSÉ MENDES LOPES MARCELO
JOSÉ NEVES DA COSTA
JOSÉ PINTO SIMÕES DA CUNHA
JOSÉ QUELHAS
JOSÉ SANTOS DINIS
JOSÉ TEODORO PRATA
LEONEL FEITEIROFRANCISCO
LICÍNIO MANUEL MENDES DUARTE
LUIS CANELO
LUIS CEREJO
LUIS MANUEL G. BOGALHEIRO
LUIS NATÁRIO
MANUEL CARLOS ROCHA PEREIRA
MAURÍCIO ESTEVES MELFE
MESSIAS GOMES + ESPOSA
NUNO CARAMELO
NUNO MOTA GIL
OCTÁVIO RAMIRES VINHAS
‎PAULO BRÁS
Pe ELÍSIO
Pe JOSÉ ANTUNES (Provincial)
Pe RAFAEL
Pe SALDANHA
Pe SOARES
PEDRO BAPTISTA
PEDRO VAZ
PROFESSORA OCTÁVIA
RICARDO FIGUEIRA
RICARDO MONTEIRO DIAS
RUI FREIRE
TADEU MARCELO BATISTA BARATA
TIAGO SILVA
VASCO RICARDO SOARES
VIRGÍLIO DOMINGOS SANTOS
VITOR M CARMO BAPTISTA
VITOR MANUEL ALVES GREGÓRIO

91 ANTIGOS ALUNOS + 22 CONVIDADOS(ESPOSAS+FAMILIARES)
= 112 PARTICIPANTES


Muito obrigado a todos os participantes pela alegria e boa companhia!!!

Agradecimentos muito especiais ao José Canhoto (boa pinga), Quim Serra Carvalho (excelente pastelaria) e Zé Henriques (carne tenra da serra da Malcata).

Tortosendo? Bom... como sempre!

Para aguçar o apetite a todos deixo uma foto que diz muito do sentimento que reinou este sábado no Tortosendo.


Passou da centena, os que de norte a sul do país, quiseram dizer presente em mais um dos encontros "rijos" dos Beirões que têm orgulho e vaidade do seu passado e que se encontraram hoje  na casa do Verbo Divino do Tortosendo. Outros se lhes juntaram com o mesmo espírito verbita que nos une, independentemente da sua casa mãe.

Já me tinham dito e eu acreditava, mas desta vez vivi! E, aquilo em que eu acreditava, em muito pouco se assemelhava ao que vivi.

Assiti a uma Eucaristia que me emocionou, pelo local, pelos presentes e pelos celebrantes. Fizemos um almoço como só os beirões sabem, cheio de alegria e memórias à mesa. Tivemos uma tarde de arromba, como já não passava, faz muito tempo. Por tudo isso, o foguete do José Eduardo foi curto para tanta emoção, mas suficiente para deixar "esvoaçar" e estalar alto o que nos vai no coração.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sugestões da Valenciana

1. Pelo que me parece, a Valenciana primeiro apetrechou estômagos e depois inspirou mentes. Já li, já vi e ouvi e de tudo o que se disse, e não foi pouco, ficou-me a ideia “peregrina”, provavelmente, de que se está a entrar numa discussão parecida com a que, há anos, se vem travando no seio dos Ex’s SVD sobre a não adesão do grupo da Beira Interior à AAVD. Sempre a achei, com todo o respeito por quem diferente pensar, uma questão menor, de lana caprina mesmo. A uma associação só pertence quem quer e não é por pertencer a ela ou não que se cortam as raízes que a todos nos ligam à SVD. Também todos sabemos que entre nós há os “institucionalistas” (dentro da SVD observa-se o mesmo) que sonham com uma associação forte, numerosa, activa, com as cotas em dia, com capacidade organizativa e mobilizadora e outros (também os há na SVD) mais livres e libertos que, sem a hostilizarem, preferem ir por outros caminhos: vão-se juntando, de vez em quando, para dizer/fazer duas coisas, mas sem compromissos de maior, pois já bastam os que a vida impõe no dia-a-dia. Ou usando a linguagem do Nicolau Marques: há os “substantivos” e os “advérbios”. São duas maneiras legítimas de estar na vida em relação a isto e a muitas outras coisas.

2. Gosto sempre de ouvir falar em transformar/mudar o mundo e dos sonhos que sobre tal projecto nos assaltaram na nossa infância e adolescência. Penso que também eu terei sido bafejado com tais piedosos e profundos desejos. Hoje, não acredito que sejam desejos de infância, mas acredito que sou convidado a mudar o mundo pelo próprio mundo e por todos aqueles com quem partilho esta CASA COMUM. Mas este mudar já não é através do modelo quixotesco do escudo e da espada, mas através da minha mudança (daquela que opero em mim com a ajuda dos outros). Eu mudo o mundo mudando-me a mim e disso não estou dispensado, porque ninguém me pode dispensar! E a mim, verdadeiramente, só eu me posso mudar! E não é difícil constatar que à medida que me mudo e transformo numa pessoa melhor este mundo passa a ser também ele um pouquinho (muito pequeno é certo) melhor. E é este o grande desafio que se nos coloca a “substantivos” e “advérbios”. E não podemos recusá-lo, pois se o fizermos este mundo fica mais pobre e menos “melhor”. Jj-a

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Da Natureza do Sabor.


Nicolau Marques

Ao ouvir a intervenção do nosso Daniel Reis no último encontro (que, curiosamente, não está longe das respostas que eu próprio dei às perguntas do convidado e bem aparecido António Colaço) lembrei-me da sábia cautela ditada por Michael Oakeshott : A conjunção do sonho com o poder degenera necessariamente em tirania
Por certo, o motivo da tão lapidar sentença deste pensador desaparecido há 20 anos, e que alicerçou o seu cepticismo em relação aos esquemas metafísicos abstractos tão do agrado do idealismo racionalista continental nos ensinamentos da tradição e na sensatez do empirismo britânico, é o rescaldo das trágicas aventuras políticas ensaiadas pelos europeus no séc. XX, a partir, por exemplo, de Berlim, de Roma, de Moscovo. Na verdade, propõe o céptico inglês, a ideia de que todas as associações deverão ter um carácter instrumental (providenciar e gerir meios em vista de um fim previamente determinado) não só não faz justiça à associação civil - propriamente, “respublica” (…nada de confundir com os delírios românticos impostos por meia dúzia de burgueses de cartola há 100 anos cá no reino, tanto mais que a monarquia pode e deve ser uma “respublica”) - como tem o efeito perverso de alimentar os mais trágicos devaneios colectivos: seja em vista de um fim económico, político, moral, religioso, étnico.  A associação civil não será, por conseguinte, um elenco de objectivos substantivas (concretos, identificados, definidos) mas apenas um quadro de referência adverbial capaz de legitimar (ou inibir, claro) a miríade de incontornáveis propósitos individuais.  
O “Sabor da Beira”, em boa hora gerado pelo nosso Bito-Que, como nele me entendo (e se nele bem me entendo, obviamente) retira toda a sua virtualidade desse seu carácter adverbial e não substantivo. É uma associação civil, afinal. Que visa o “Saber da Beira”? Nada em concreto e tudo o que cada um dos seus membros quiser: a satisfação do reencontro periódico passadas décadas (… e que nele se esgotará); o relembrar de momentos gratos da adolescência; a catarse de pequenos traumas que os anos, ainda assim, não puderam resolver; a satisfação de ouvir de condiscípulos o louvor a mestres que nós próprios não soubemos fazer; a mobilização para o arranjo de um telhado;  a dissertação sobre a secreta proveniência do medronho que o Fernando, mais uma vez, providenciou;  o humor sadio a propósito do avanço desta calvície ou daquele abdómen; a azáfama do Pinto para que as quotas e listas da AAVD fiquem em dia; os cantares desgarrados enquadrados pela concertina do Freire; a proposta de reunir as criações musicais de alguém entretanto desaparecido; a comparação da entremeada que agora se degusta com o naco de vitela que há dois meses se apreciou; etc. Pouco, portanto. E, todavia, muito: determine-se uma meta que a comprometa substantivamente e, a prazo, será uma associação do passado. Mais uma. E dessa ameaça nos quererá prevenir o avisado Daniel.
N.M.