Aguardando pelas prosas dos convivas, podemos já ver algumas imagens. É incrível como não consegui nenhuma foto do José Gil, que apareceu a pela primeira vez. Maldito tabaco, ou descuido meu? Gil... já tens um motivo para a próxima.... a foto!
Errata: no final deste video diz que nos reencontraremos sábado 31!!!! ATENÇÃO SÁBADO, É DIA 30! (Obrigado afilhado!... sempre alerta! Era para ver se alguém chegava ao fim do vídeo!!!!!)
Enquanto não chegam as redacções prometidas e as fotos (provavelmente já chegou tudo... eu é que só agora posso dedicar-me um pouco mais ao acontecimento!), o nosso amigo António Colaço teve a amabilidade de nos fazer uma visita, como prometeu, e foi mais um dos nossos, de corpo e alma! Aproveitou para fazer uma fotos e uns videos e autorizou a su publicação aqui, o que desde já agradecemos.
Respondendo ao Amaro, através do amigo Colaço podes já disfrutar de muito do que foi o nosso convívio e convido, todos, a visitar o animus!
Aqui fica um pequeno registo videográfico, amabilidade do Colaço, para memória futura (e o José Dias Gil está encantado a ver/ouvir o Zé (da Veiga) Freire mai'la sua sanfona) :
Duas notas (e uma extra) do meu caderno de apontamentos, sobre o Professor Abílio.
Primeira: Vi-me grego com o Latim, que só vim a finalizar com o hoje meu amigo AnónioVieira. Era impressionante, o professor Abílio – além de outras habilidades, quando o pessoal tropeçava numa regra ou excepção, era ouvi-lo: “Gramáticas antigas, página X; gramáticas modernas, página Y”. Tiro e queda; lá estava; sem falhar uma, que eu saiba.
Segunda: Num dia de entrega das redacções de Português, um ano antes da grande guerra dos “Lusíadas”, a minha redacção ficou retida, facto que para este jovem recruta só podia significar asneira feita e reprimenda a crédito. “Falamos no fim da aula”, foi a sentença do Mestre; quando todos saíram, numa lástima de medo, aproximei-me disposto a sofrer o castigo. Afinal, pena menor: “A palavra bêbado não se usa numa redacção; podes usar outras”, e deu exemplos. “Outra coisa: continua a escrever, que escreves bem”. Na altura, não soube o que fazer com aquele torrão de açúcar, que agradeço ao Mestre, como afinal o que alguma vez eu soube de Língua Portuguesa.
Nota Extra: Provavelmente para desincentivar alguma tentativa de copianço, o Professor Abílio passava a imagem de que com ele era impossível. Ainda estava para nascer…E contava episódios de tentativas mal sucedidas, de cábulas surpreendidos em flagrante e castigados em conformidade. A mim convenceu-me da sua “invencibilidade” e quero crer que ele também estava seguro dos seus poderes. Um dia descobri que o Luís de Jesus copiava nos pontos de Português, como fazia nos pontos de todas as disciplinas. Apesar de se sentar na carteira da frente, a um braço de distância da mesa do professor. E nunca aconteceu nada. Por causa do apelido do Luís, acho eu: porque há apelidos que são verdadeiros seguros de vida. Ou não.
Obrigado Zé por teres a sã ousadia de partilhar connosco alguns momentos tão pessoais e sensíveis da tua passagem pelo SVD.
Obrigado Zé por nos teres proporcionado um momento “zen”. As tuas palavras catapultaram-nos para a nossa meninice, adolescência e juventude. Entrámos num filme em que passámos a ser actores principais com passagens idênticas às tuas. Relembrámos momentos altos e felizes e momentos baixos, tristes e recatados. Todos eles tiveram uma importância marcante na nossa personalidade actual.
Obrigado Zé por teres evidenciado dimensões tão características da personalidade do Pe. Soares. Também eu tive o privilégio de conviver de forma tão próxima com Pe. Soares em dois anos em que foi meu prefeito em Fátima. Também destaco a sua energia contagiante, o estímulo e encorajamento de forma responsável ao desenvolvimento da nossa autonomia, o apoio aos menos dotados em actividades que mais favoreciam a integração dos alunos, transformando aspectos menos bons em mais valorizados, a capacidade de decisão pelos princípios de justiça e rectidão independentemente de factores alheios que muitas das vezes desfocalizavam do essencial. Embora por vezes tenha sido incompreendido, creio que passados alguns anos, quando assumimos o papel de pais, compreendemos muitos das suas decisões de coragem, sendo sempre pautadas por objectivos pedagógicos para nos tornar Homens. Obrigado Pe. Soares
Obrigado Zé por lançares o repto de ajudar muitos ex-verbitas “a fazer o reencontro positivo com o passado”, gostei desta bela expressão. Linda e ainda actual ao fim de tantos anos. Quando renunciamos ao nosso passado, renunciamos ao nosso presente. Podemos viver a vida de outros, mas não estamos certamente a viver a nossa própria vida, não nos assumimos de forma integral, assim estamos debilitados das nossas raízes, das nossas energias. Seremos sempre peixes a nadar contra a corrente, que esforço inglório quando apenas bastava pormo-nos a jeito. Ainda que não tenha sido fácil para muitos de nós o percurso pelo SVD, deve ser um suplício maior estar constantemente a renegar social e intimamente esta passagem. Acreditem que mesmo aqueles que evidenciam o “reencontro positivo com o passado” também têm tristezas pelo que a sua passagem pelo SVD provocou. Seja o corte abrupto do convívio dos pais, desencadeando um sentimento de profundo abandono, seja as incompreensões, mal-entendidos, quezílias e até, eventualmente, injustiças percepcionadas pelos actos dos pais, dos padres e prefeitos do SVD e até colegas, tudo isto deixou mágoas. Mas não pode continuar a provocar mazelas, amargura e rancor, que nos afaste do essencial, do reencontro connosco próprios. Mesmo que todos os outros nunca tenham feito nada para reparar esta mágoa, mesmo que o “mundo tenha estado todo contra nós”, ainda assim há algo que apenas depende de nós: perdoar. Este sentimento pode libertar…
Obrigado Zé por partilhares connosco o orgulho de teres passado pelo SVD. Tantos colegas, padres e prefeitos tornados amigos apenas porque passámos pelo SVD. Que tamanha riqueza. Tantos momentos felizes de saudável camaradagem durante e após a nossa passagem apenas porque passámos pelo SVD. Que tamanha sorte. Tantos valores, princípios e acções que nos foram transmitidos apenas porque passámos pelo SVD e que se têm revelado de incalculável utilidade como orientação e rumo nos dias e tempos de maiores agruras. Que tamanhas estrelas iluminadas!
Obrigado Zé por questionares se na nossa vida damos testemunho de fé e mantemo-nos fiéis às nossas origens e vivências. Independentemente de sermos católicos, praticantes ou não, ateus, agnósticos, de outras religiões e até de outras categorias que não encaixam em nenhuma destas, há algo que devemos sempre procurar praticar: a reprodução dos valores, dos princípios e das acções que apreendemos no SVD. Na igreja ou fora dela, na comunidade mais próxima ou mais distante, numa actividade profissional ou até lúdica, temos inúmeras oportunidades de fazer aquilo que consideramos o mais correcto e não o mais fácil. Acredito fortemente que desde as acções mais altruístas de vidas dedicadas à ajuda ao próximo até às mais simples acções de respeito ao outro, mas não menos nobres, estão ao alcance de todos. Não foi este um dos grandes pilares do nosso missionário SVD?
Obrigado Zé por teres colocado os Três Povos no centro da “agenda política” dos ex-verbitas. Terra de grandes produções quantitativas e mesmo qualitativas, como o teu texto tão bem o testemunha.
Na verdade, se a dificuldade (que partilhamos) em afirmar de modo categórico que houve uma descristianização da sociedade (que pode ser sustentada pela constatação de, ainda assim, apesar de os templos estarem mais vazios, serem hoje encontráveis mais "franciscos", "amélias" e “joãos” [… ou será “joões”? :)] do que há uma ou duas gerações, quando os manos Amaro não achariam facilmente, como agora, álibi no providencial anonimato gerado pela azáfama das vidas para justificar as suas incompatibilidades) nos aproxima, talvez nos afaste a apreciação que fazemos do carácter formal e exterior das manifestações religiosas: para ti, um possível indício de farisaísmo; para mim, talvez, sobretudo, as reminiscência de uma alma comum que não se quer apagada ou, o que dá no mesmo, a demanda de uma formalidade sem a qual qualquer conteúdo se esvai na implacável voracidade do tempo. Parafraseando o velho Kant sobre as fontes do conhecimento, diria que formas de religiosidade sem conteúdos (compromissos concretos) são vazias mas que estes sem o invólucro de uma ritualidade que sugira intemporalidade são cegos.
A título de exemplo, permite que te descreva um método eficaz para esvaziar uma igreja. Claro que se trata de uma apreciação meramente empírica, como o serão todos os recursos de quem não se encontra pastoralmente habilitado nem é cientificamente capaz e, portanto, dificilmente resistirá a um adequado exame crítico. Ainda assim, considera-o como possibilidade (… combinando-o com as tais razões acessíveis já ao simples iniciado nas ciências sociais). Ponha-se à frente de uma comunidade paroquial que enchia uma igreja três vezes em cada domingo um pastor que mobilize o melhor das suas energias (feitas de “garra evangélica” no verbo e chicote anti-vendilhão na mão) para em cada homilia desancar na “falta de autenticidade” dos baptizados que têm a coragem de transpor as portas para “assistir” aos serviços litúrgicos, o descaramento suficiente para inscrever os seus rebentos na catequese e a distinta lata de nos dias festivos (primeira comunhão, por exemplo) providenciar, se não um banquete, pelo menos um rancho melhorado após a cerimónia para que aprimoraram os meninos com laçarote e as meninas com vestido branco e florzinha no cabelo. Para ficarem melhor na foto? Por certo. Ou, quem sabe, porque essa exterioridade, essa formalidade, ainda que secundária, é o catalisador de uma pertença que se ancora numa memória de ritualidade festiva, grata e bela – não necessariamente na manifestação desse tremens que justificaria, segundo Rudolf Otto, a persistência de uma consciência do sagrado. A prazo esse mesmo pastor recomeça as suas invectivas - combate em que o adversário é agora, porém, a parca “audiência”. Mas nem ele percebe que o seu continuado esforço de apartar a elite de dignas ovelhas dos intrusos cabritos foi eficaz: estes, finalmente conscientes da sua indignidade, como os juízes do povo incapazes de atirar a primeira pedra, houveram por bem debandar de um meio onde mais sensato – e evangélico – seria serem, mais que ninguém, acolhidos, quais indigentes das ruas no banquete para outros preparado.