domingo, 28 de março de 2010

FESTA ATÉ ÀS TANTAS

António Pinto

Conforme estava programado, realizou-se em 26 de Março mais um JANTAR do grupo do Blog Sabor da Beira, na Valenciana, em Campolide/Lisboa. 


Os convivas foram chegando, cumprimentando-se efusivamente, pois alguns frequentaram o seminário na mesma época, e outros já se conhecem destas andanças, pelo que se formou um grupo coeso e comunicativo. Há a assinalar a estreia nesta actividade do Manuel João e do António Registo, a quem os presentes deram as boas-vindas.

Com a mesa posta em sala reservada, o pessoal foi-se deliciando com as variadas entradas e salgadinhos, regadas com vinho branco, enquanto conversavam com o parceiro do lado. Seguiu-se o prato de carnes grelhadas mistas, com guarnição de batatas fritas e esparregado, e tintol de Ambriz para aconchegar. De pois da sobremesa veio o café, acompanhado com medronheira da produção do Fernando Carvalho. Refira-se que o Xico Barroso não usou o copo de balão para o digestivo, pois preferiu beber “água do Moradal” para marcar diferença! 

No meio da animação surge uma viola, que passou de mão em mão, até que veio parar às mãos do António Registo, que dedilhando as cordas produziu o som das notas musicais, que foram cantadas pelo solista José Freire, acompanhado pelo coro dos presentes. Em surdina, o Xico Barroso comentou que seria bom registar estes momentos em que o Registo “está a chegar aos céus”! De canção em canção, chegou-se ao fado em que o tocador da viola cantou a solo o Fado do Embuçado, sendo bastante aplaudido no final. O Freire ripostou com a narrativa cómica da história de Portugal.

Nova intervenção do Xico para revelar que demorou oito dias para baptizar o seu cão, e após duas horas de debate com os três filhos resolveram dar-lhe o nome de “Luka”. O Casimiro queixou-se que em anterior jantar esteve quase duas horas à espera do Xico Barroso na Praça de Londres, enquanto este andou a passear o cão para fazer o “presente”. Pegando na deixa, o Freire cantou o tema humorístico “Aga aga, aga cão, já _agaste ainda não”! Entrando na paródia o Casimiro entoou o “Tacho olha o penacho, tacho!!!”

Este convívio de beirões terminou em apoteose, com todo o grupo a cantar os tradicionais temas “Oh Castelo Branco” e “Oh que lindo chapéu preto”. Estiveram presentes 16 elementos, um número ligeiramente inferior ao habitual, devido às férias escolares da Páscoa, em que alguns frequentadores do grupo se ausentaram de Lisboa, ou tiveram motivos impeditivos. Mas há a realçar a grande animação com que decorreu este convívio, que deu para “desopilar” e fazer uma pausa na labuta diária. A solidariedade com o Cardoso, da Barreira/Leiria não foi esquecida!

Deu-se a debandada, levando cada um vontade de voltar no próximo a 28 de Maio, continuando a ligação a ser mantida através do Blog Sabor da Beira!

JANTAR do BLOG – 26 de Março
           PRESENÇAS:
- António Casimiro Barata
- António Pinto
- António Registo
- Artur Santos
- Daniel Reis
- Fernando Carvalho
- Francisco Barroso
- Henrique Barata Nunes
- João Geirinhas
- José Freire
- José Martins
- Manuel Augusto João
- Nicolau Marques
- Quim do Moradal
- Tó Mané Marcos
- Vítor Gaspar

quarta-feira, 24 de março de 2010

O pároco de Alter do Chão já regressou e digo-vos que está fixe e se recomenda

Daniel Reis               

Tenho uma informação a partilhar com os meus confrades deste espaço íntimo de amizade e solidariedade: o José Cortes já regressou (dia 20) à sua paróquia de Alter do Chão, para onde foi destacado há três anos, deixando assim de leccionar filosofia no seminário diocesano de Santarém (cidade situada a 35 quilómetros da sua actual paróquia) e de exercer como prefeito dos poucos alunos verbitas do referido seminário. E posso acrescentar que foi de avião.

De avião?, perguntar-me-ão V. Excias, talvez acrescentando que melhor lhe fora ir a cavalo, pois Alter é o reino por excelência deste belo quadrúpede. E alguns até cofiarão barba e bigode, na dúvida sobre saber se Alter do Chão não fica um pouco mais longe de Santarém, que aquela trintena e tal de quilómetros. A questão é que este Alter fica um pouco mais a Oeste no mapa, lá para os confins do mundo amazónico. E, para chegar àquela Santarém, não se passa pelo apeadeiro de Vila Franca de Xira.

A sede paroquial, com as suas 18 capelas, onde hoje pastoreia almas o padre José Cortes (natural de Janeiro de Cima e antigo companheiro de quem frequentou o Tortosendo em finais dos anos sessenta e nos seguintes em Fátima) é, só, a mais bela praia interior do Brasil.

Situa-se na foz do rio Tapajós, um pouco antes de as águas deste rio se misturarem com as do Amazonas, que vem do Norte, e se transformarem num rio só, o maior do mundo, justamente na orla de Santarém. Só para vos dar uma ideia (além das fotos que enviei para o Vítor ilustrar este texto) digo-vos que é lá que estacionam, para fazer praia, os luxuosos navios americanos de cruzeiro, que regularmente sobem o Amazonas.

A bela praia só funciona a partir de Julho e até Dezembro. Fora isso, a ilhota de areais fica completamente submersa pelas águas do Tapajós. Quando eu e o António Pinto lá estivemos, faz quatro anos em fins de Abril, exactamente pilotados pelo Cortes e o Elísio Gama, os restaurantes e bares da praia eram apenas frequentados por miríades de peixes, entre eles o pirarucu, que chega a atingir uma centena de quilos e do qual comemos umas postas fritas, nas esplanadas sobranceiras ao imenso mar de água, que cobria a praia.

Sabendo que o José Cortes estava cá de férias (fartou-se de dizer missas lá para o Sul do concelho do Fundão, nomeadamente na minha parvónia, Bogas de Cima), os dois ex-visitantes da missão verbita na Amazónia fizeram questão de o rever e agradecer ao seu antigo anfitrião. E garanto-vos que batemos uma bela conversa à mesa, num restaurante finório em Lisboa, para o Cortes não ir dizer de mal de nós aos seus paroquianos e não fazer comparações indevidas entre o peixinho miúdo português e o desmesurado pirarucu amazónico.

A todos quantos têm do Cortes uma imagem de afabilidade, bom humor e belo carácter, só posso dizer-lhes que ele se mantém absolutamente igual. Ou seja, muito fixe. E que se recomenda.

Como alguns sabem, ele já é missionário na Amazónia há duas dúzias de anos e faz questão de se manter, a par do pastoreio das almas, na linha da frente dos combates sociais e ambientais. O que o fez entrar na lista negra de madeireiros, latifundiários do Pará e produtores de soja. Agora, anda envolvido nas manifestações e protestos dos índios Caiapós, contra a construção de uma barragem no rio Xingú, que iria arrasar muitas aldeias e, especialmente, os terrenos sagrados onde vivem os espíritos dos antepassados.

Termino informando-os que o José Cortes convidou a nossa rapaziada a ir visitá-lo a Alter do Chão, quando quiserem. Por acaso, ele é frequentador assíduo deste blog e diz que gosta e está permanentemente a par do que nele se escreve. O problema é que a viagem de ida e volta anda pelos mil dólares. Mas quem puder, já sabe, o e-mail dele, tomem nota, é «svd-jose@gmail.com».

A mim, pessoalmente, fez-me um convite demasiado tentador, mas arriscado. Sabendo que ando às voltas com a preparação de uma sonhada viagem ao Pantanal, ofereceu-se para me levar de jeep até Corumbá, à entrada do dito. Só que são uns 1.500 km, do Amazonas para baixo, por estradas às quais ninguém consegue contar os buracos, quanto mais tapá-los.

É tentador, mas veremos. E até é possível que, daqui por uns tempos, eu venha justamente a este espaço partilhado de amizades, à procura de companheiros de empreitada.

Um abraço do Dani.    

segunda-feira, 8 de março de 2010

Jantar 26 de Março


Caros amigos,

Estão "oficialmente" abertas as inscrições para o próximo jantar:

- 26 de Março, 6ª feira, 19.30h
- Restaurante "A Valenciana", Campolide

A tertúlia é abrangente e extensiva a todos os verbitas que se queiram juntar para um momento de puro convívio (embora a recente descoberta do Paraíso e a 2ª Revelação do Xico Barroso possam originar momentos de debate acalorado e "dialético"... A coisa promete!).

 Vamos então à ementa para dia 26:

- Encontro às 19.30h
- Entradas para "entreter", enquanto se aguarda pelos retardatários...
- Grelhada mista de carne (entremeada, entrecosto, frango, secretos e vitela).
- Peixe à escolha para os dissidentes carnívoros.
- Sobremesa (fruta, bolos ou gelados)
- Café (e medronho, se ainda houver...)
- Vinho branco e tinto "Quinta de Cabriz" ou equivalente, se quiserem sugerir...
- Até à meia noite a sala é nossa.

O preço rondará os € 15 por "comedor"!

Estão reservados 30 lugares! Agora vejo que ainda faltam alguns... Vamos lá às inscrições e mobilizar os indecisos!!!



Lista de Presenças no Jantar
26 Março. 2010 – 19:30h
1.      
Fernando Carvalho
2.      
José Martins
3.      
Francisco Barroso
4.      
Quim do Moradal (vem de Exprexo)
5.      
Henrique Barata

     6.     Casimiro Barata
7.      Nicolau Marques
8.      João Geirinhas
9.      António Pinto
10.  Artur Santos
11.  Surpresa (1ª presença)
12.  Vítor Gaspar
13.  Daniel Reis
14.  António Registo
15.  José Freire
16.  Tó Mané Marcos
 
Abraço,

Fcarvalho

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

2ª Revelação


Por FRANCISCO BARROSO


Construa-se o Paraíso

Eu pecador me confesso que, tempos houve, em que a minha receita para os deserdados da vida, os famosos sem abrigo, que tantos há em Lisboa, o meu conterrâneo Zé Amaro que perdoe, era a monda química.
Claro que há razões para isso. A imundice em que se tornam os locais por eles frequentados (papéis, sacos de plástico, embalagens de comida e bebida atirados para o chão sem qualquer prurido), a falta de respeito pelas mais elementares regras de higiene. Vejam bem que tiveram de cortar todos os arbustos do Jardim em frente à Igreja de S. Jorge de Arroios, porque eram sítios óptimos para esconder o traseiro e fazer a cagadinha da ordem, porque para mijar nem é preciso ir tão longe, pois que os pilares da Igreja são ideais e mesmo à mão de semear e ali pertinho da cama.
Isto para dizer que os locais públicos mais aprazíveis de alguns dos bairros lisboetas, se tornaram autênticos cagadouros e nem os turistas, nem os próprios residentes convivem bem com esta realidade.
Outros dias houve também que tocado, quem sabe, pelo Espírito Santo, o meu coração se compadecia desta gente, carregando sempre a sua fortuna, que cabe integralmente num ou dois sacos de plástico, envoltos no seu triste olhar e no pivete que os anuncia ainda vêm longe.
Então comecei a perceber dentro de mim um nítido conflito entre a minha componente biológica (do homem lobo que só pensava na monda química) e minha componente cultural (religiosa: lembram-se do Sermão da Montanha? Bem aventurados os humildes…claro que lembram; que eles são nossos irmãos… A eminente dignidade do ser humano consagrada nas leis do mundo ocidental, que faz parecer verdade a igualdade dos homens perante justiça, basta deitarem um olho à Constituição de República ou à Convenção Europeia dos Direitos do Homem e isso trouxe-me um certo desconforto, confesso.
Depois pensei. Talvez tivesse outra perspectiva se um deles fosse meu parente próximo. E foi aqui que se deu o clique. Foi só ligar as coisas e a revelação surgiu: somos todos irmãos porque filhos de Deus e somos todos parentes porque o Estado é, nos termos do direito, a nossa família institucional. E porque tem a obrigação de nos proteger em termos de segurança, em termos de saúde, de nos dar instrução, sente-se no dever e não o esquece de nos cobrar impostos criando assim uma relação sinalagmática, como os juristas gostam de dizer.
Nas famílias normais a tendência natural é proteger os mais fracos. Tanto na sociedade humana como na dos mamíferos superiores. Vejam aliás quem é que avança para o combate nas manadas de cavalos. É o líder, o chefe, claro, (isto não é para ti ó Garcia). Não sei se sabem que a sociedade humana contemporânea é a única em os chefes ficam na retaguarda e mandam os miúdos para a frente de combate . É seguramente um sinal de inteligência, mas será de coragem?
Então o meu projecto é este: construa-se o paraíso para os mais fracos, que os mais fortes já têm o seu.
Começamos por retirar o Cavaco Silva do Palácio de Belém, até porque tem casa própria em Lisboa e ganha bem, não se importará seguramente dada a nobreza da causa.
Umas boas camaratas, umas boas casas de banho, um bom refeitório. Nem fica caro. Os portugueses são generosos. Se houver um canal de roupas em bom estado que as pessoas já não usem. O banco alimentar com mais uns produtos que as grandes superfícies ofereçam por questões de prazos e ainda em margem de segurança, além da vantagem para os grupos de solidariedade e ajuda humanitária que todos os dias fazem Kms na cidade para lhes dar o jantar tê-los ali bem juntinhos. Acham impossível?
Não é caro, até porque na quase totalidade, esta gente terá direito ao rendimento mínimo que ninguém lhes paga, porque para o Estado já não existem infelizmente. Acho que por não terem número de contribuinte. E que lindo sítio. Era bom para eles, era bom para nós e era bom para os jardins, que voltariam à sua função natural e não à de campo de refugiados como o é o Jardim do Constantino.
Ó Zé Amaro, o teu sonho da casa do C. ao pé do meu é uma brincadeira de crianças, com a vantagem incomensurável de ser real. Por isso te tiro o chapéu, mas achas ou melhor acham o meu impossível? E chegado aqui começa a atormentar-me aquela verdade que o Pessoa (outro amigo antigo) me ajudou a ver, claramente visto, que é a diferença entre os que nasceram para conquistar o mundo e aqueles que sonham que podem conquistá-lo, ainda que tenham razão.
E mais não disse…