quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz Natal - Uma Luz que aquece nas terras frias do Canadá


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A vela gigante com que vos desejo Bom Natal é feita com as peças de roupa velha que cada um de nós, na comunidade de Santa Cruz, foi convidado a trazer no dia do sacramento do Perdão.

Com este gesto quisemos deixar todas as vestes do desamor para nos vestirmos da graça do Natal que é Deus connosco.

E na noite das nossas vidas surge uma chama de luz.
Santo Natal para todos


Pe. José Maria Cardoso

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Carta do Xico


Em verdade, em verdade vos digo: se tivésseis fé do tamanho de um grão de mostarda poderíeis mover montanhas. Todos sabemos que vem nos Evangelhos. O Capítulo e Versículo, saberão Zé Antunes, o Zé Leitão e outros claro.


A minha perplexidade: a vossa falta de um mínimo de fé. E tudo isto a propósito de quê? Do vosso espanto do Sabordabeira ter conseguido comemorar o seu 1.º aniversário.


É um espanto bacoco, deixem-me que vos diga, para quem teve o privilégio de ter tido uma instrução e uma educação como a nossa, que são em meu entender, os pressupostos básicos para uma vida minimamente equilibrada e feliz, como parece ser a dos convivas do grupo.


Gostava mesmo é que me explicassem porque raio acabaria um projecto como este que só tem razões para o sucesso. A primeira e mais importante, foi definida pelo nosso guru, que também acode por D. Corleone ou mesmo por Vítor Baptista, que todos temos a sorte de ter por amigo e que consta no artigo único em que assenta o Grémio: “sem pretensões, sem responsabilidades colectivas, mas com a consciência individual de que todas as coisas se fazem apenas se cada um se empenhar”.


Há pessoas com este carma (ou será Carmo?) de comunicar aos outros um grande sentido de amizade e de humanidade (aliás já me constou que todos os grandes padrinhos da máfia tinham este dom).


Depois o que é o Sabordabeira? Aí perguntamos ao Daniel. E ele dirá na sua bela prosa poética, como já antes o disse: “… é o sítio da amizade entre beirões de gema”. Não é bem assim, mas desculpas-me, não desculpas Daniel?


E eu tenho uma última pergunta para vós, meus amigos, e como uma sonda a lanço nas vossas almas para lhe conhecer a profundidade: quem numa sociedade consumista, do descartável, do individualismo que gera a indiferença, o mais maligno dos males do nosso tempo, que nos tolhe de lutar por grandes causas ou grandes ideais (cá estou a exagerar, acabei de ouvir na televisão que há imensos gajos a lutar, vejam bem a causa, o casamento entre rabetas. Isto está pior que na Grécia antiga e como me parece uma causa completamente disparatada, vou continuar).


Repito, quem numa sociedade completamente esquizofrénica como a nossa (vejam só um dos exemplos que tenho para vos dar e isto já foi há uns anos. Em frente ao Trabalho do Tó Rui, ou seja, ao Ministério da Educação, um belo dia de manhã ia eu para o trabalho, para o meu claro, que era ali perto e deparo com o quê? Um guarda republicano numa potente BMW, fardado a rigor, botas altas tão bem engraxadas como as dos seminaristas e pasme-se, umas valentes esporas a brilhar. E isto é normal?) não dá tudo por tudo para poder estar no sítio da amizade? No sítio onde se sente uma vibração indelével que nos une, onde se sabe que o que dizemos é entendido, porque de certa forma usamos a mesma linguagem pois que fomos configurados nos mesmos conceitos (como diria o Zé Duarte que é um sábio destas coisas), em suma, um sitio tão convívial, fraternal e acolhedor como outrora foram as tabernas das nossa aldeias para os nossos avós e onde agora como outrora, na celebração, corre também água da vida (que já me deixou quase morto) e que dá pelo nome de medronheira.


E o que mais me agrada em tudo isto é nome: sítio da amizade, que é bem melhor que sitio do pica-pau amarelo. Não acham?

Um abraço

sábado, 5 de dezembro de 2009

Dia de Natal - Por António Gedeão


O meu presépio é igual ao teu?

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?)
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziante,
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
E como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora já está desperta.
De manhãzinha
salta da cama,
corre à cozinha em pijama.

Ah!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus,
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,
dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Silêncio! (Segredo?)



Ando virado do avesso. Todos as semanas me chegam, por correio electrónico, uma mão cheia de artigos de opinião de tirar o fôlego. Realistas, críticos, factuais, mordazes. Vêm de todos os quadrantes! Todos concordam numa coisa, o país está doente e débil. Comparando-o a um fruto com lagartas e bichos que o destroem por dentro em redor do seu coração. Silenciosas, escolhendo, por ora, os órgãos menos vitais que vão permitindo ao país manter uma pele de fruto saudável, com Cimeiras Ibero-Americanas, Tratados de Lisboa, candidaturas a Campeonatos do Mundo de Futebol, tudo cheio de pompa e circunstância, como se a cesta da fruta fosse só de fruta sã e, por isso, coisa para durar muito.


Entretanto, por cá, continuam acontecendo muitas coisas que nos indignam a todos a julgar, novamente, pela quantidade de mensagens que circulam diariamente entre nós, cuja origem e autoria é, invariavelmente, dos mesmos autores. Isso é preocupante! Faz-me lembrar o tempo em que (quase) todos sabiam umas anedotas para contar aos amigos! Agora, poucos as sabem ou se lembram de uma anedota, elas circulam pela net e ninguém lhes liga! Nem paciência há para as ler até ao fim, que é onde, normalmente, está a piada. Isso, ainda me preocupa mais!


Já começo a ver estes artigos de opinião seguir o mesmo destino das anedotas. Realistas, críticos, factuais, mordazes, circulando pela net e pelos Jornais, mas ninguém lhes liga! Depois, continuo a ver as lagartas no seu banquete, serenas, silenciosas, cada vez mais viscosas, famintas de saciedade tão fácil, a aproximarem-se do coração e da pele do pobre fruto, carcomido e com sinais de envelhecimento precoce. E, nós, impávidos e serenos, a passar mensagens de indignação pela net, que terminarão, invariavelmente, no esquecimento e na indiferença da anedota.



Olhamos para o cesto e identificamos, certeiros e silenciosos a fruta podre! É aquela, está ali...


Os senhores que caçam lagartas e que deviam separar os frutos podres, ou em vias de apodrecimento, dos frutos sãos, evitando a sua contaminação, pedem e exigem... silêncio meus senhores, silêncio, silêncio, (...as lagartas não gostam de ser incomodadas?) porque ser houver gritos ou “paulada” (OLHA A LAGARTA! OLHA A LAGARTA!... AGARRA QUE É LAGARTA!... PISA, PISA, QUE É LAGARTA!...) o bicho foge!



É o que dizem os senhores que caçam lagartas!